Ex-presidente Michel Temer é preso pela operação Lava Jato

A operação também tem mandados para prender o ex-ministro Moreira franco

O ex-presidente Michel Temer (MDB) foi preso na manhã desta quinta-feira (21/3). A prisão faz parte de inquéritos referentes à força-tarefa da operação Lava Jato. A Polícia Federal também tem como alvo o ex-ministro Moreira Franco (Minas e Energia).

A operação é um desmembramento da 16ª fase da Operação Lava Jato, denominada Radioatividade. Há, no total, oito mandados de prisão sendo cumpridos. Parte da apuração se refere ao pagamento de propinas para a construção da usina Angra 3.

A investigação tem como base as delações do empresário José Antunes Sobrinho, ligado à Engevix, e do corretor Lucio Funaro. Sobrinho citou acordo sobre “pagamentos indevidos que somam R$ 1,1 milhão, em 2014, solicitados por João Baptista Lima Filho, coronel ligado a Temer, e pelo ministro Moreira Franco, com anuência do então presidente, no contexto do contrato da AF Consult Brasil com a Eletronuclear

O advogado Eduardo Carnelós, que defende Michel Temer, considerou a prisão de seu cliente “uma barbaridade”.

Os mandados pedem a prisão preventiva de Temer e Moreira Franco, ou seja, sem prazo para terminar. Há diligências em curso nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. Não foram fornecidos detalhes sobre a motivação das prisões. Segundo informações da Globo News, a prisão ocorreu no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, onde ele vive. De lá, ele segue para o aeroporto de Guarulhos, de onde será levado até o Rio de Janeiro. Moreira Franco foi preso no Rio de Janeiro, onde ele mora.

O ex-presidente é alvo de dez inquéritos, cinco deles abertos quando o emedebista ocupava o comando do Palácio do Planalto. Os demais foram autorizados este ano. Michel Temer é o segundo presidente a ser preso após condenação na esfera penal. O primeiro foi Luiz Inácio Lula da Silva, em abril de 2018.

Michel Temer (PMDB) foi o 37º presidente do Brasil e chegou ao cargo em 31 de agosto de 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Antes disso, ele havia sido eleito deputado constituinte e, depois, foi eleito quatro vezes deputado federal. Temer também foi presidente da Câmara.

Repercussão
O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse, por meio da assessoria, que não iria comentar a prisão de Michel Temer.

Já o deputado Alessandro Molon (PSB), líder da oposição na Câmara, afirmou que a Justiça foi feita. “Vários comparsas dele já foram presos. Trata-se do Chefe da quadrilha. Nós tentamos, aqui na Casa, fazer com que Michel Temer respondesse pelos seus delitos e ele usou a fora de presidente para que isso não avançasse e, felizmente, agora, ele começa a responder perante a Justiça”, disse, na manhã desta quinta, no Congresso.

Nota do MDB
Em nota, o partido do ex-presidente disse “lamentar” a prisão. “Não há irregularidade por parte do ex-presidente da República, Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco”, diz a nota. Confira na íntegra:

“O MDB lamenta a postura açodada da Justiça à revelia do andamento de um inquérito em que foi demonstrado que não há irregularidade por parte do ex-presidente da República, Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco. O MDB espera que a Justiça restabeleça as liberdades individuais, a presunção de inocência, o direito ao contraditório e o direito de defesa.”

(Aguarde mais informações)

Fonte: Metrópoles – Por Guilherme Waltenberg

Foto: Arquivo/Agência Brasil

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